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Caros leitores,

Começamos um novo ano, 2010 já faz parte da existência de todos nós. Desejo, acima de tudo, que este ano seja, dia a dia, a realização plena da existência. Desejo que a revolução das mentalidades aconteça de uma vez e que todos possamos viver na plenitude de Buda, de Cristo, enfim, de nós. Desejo muito, porém, nada do que anseio é impossível de realizar, e isto porque o que aqui é desejado já existe, porém, como um som que, por não o notarmos, julgamos até  não existir,   julgamo-lo impossível. Não é! Precisamos, isso sim, de encaminhar os nossos sentidos, até que, como um milagre, ouvimos o som, e, uma vez percepcionado, com maior facilidade o escutaremos em cada dia do nosso futuro. O presente é o caminho para o futuro, é, então, aqui e agora – e apenas aqui e agora – que podemos ouvir o som, que podemos sentir a existência, que podemos ser quem, na verdade, somos. Conversa batida, aceito, mas, de facto, não conheço outras palavras que nos encaminhem tão bem como estas. É este caminho de terra já batida que tenho vindo a percorrer, é este som que espero que todos venhamos a ouvir com maior frequência. Que 2010 seja, então, o ano em que todos escutemos esse som que tanta falta faz ouvir.

Votos de dias felizes, plenos de compaixão.

Nuno Firmino

Feliz Natal

O Natal, dia, hora, instante de existência. Ciclo. Roda que roda, que circula pelos milénios, e tu e eu assim, circulando, assim, como o Natal. Ressuscitando o deus que há na existência, assim somos eu e tu, uma luz que se desvenda de tempos a tempos num céu bonito. Uma luz que renasce a cada ciclo. Vem comigo renascer um dia, num tempo outro, onde o mundo que conheces é outro mundo, algo desconhecido para nós os dois. Arriscas? Ninguém perde, porque nada somos, aliás, se formos, repararás que ninguém é. Simplesmente julgamos que somos e isso não é necessariamente mau. É bom sentirmos que somos, que existimos, isso faz parte da graça de renascer. Vem agora, ou não mais poderás. Não sei. Não sei, não me perguntes o que eu não sei. Apenas sei o que te disse. Adeus – regressarei para o ano, por esta altura, isso é certo. Eu regressarei, e tu? Vem comigo agora. A decisão é tua. Vem para renasceres, na certeza de que assim é.

Palavras em liberdade

Sabia que a fronteira entre as forças que me acompanham e quem apenas quer ser  como eu (tu não és um ídolo, de que falas?) se desvanece durante a minha ausência. Só a solidão guarda as recordações do passado, do que escrevi. Nem sempre tudo o que se escreve é para ser interpretado, por vezes apenas se escreve e, curiosamente, é dessas vezes que realmente se escreve. Tudo o mais são palavras soltas – são precisamente essas, as que não confraternizam em liberdade,  as que menos parecem coerentes – porque somente a liberdade tem talento neste mundo.

Os passos que darei

Nesta noite, 20 de Setembro do ano da graça de 2009, estou a ponderar se devo dar continuidade ao sonho antigo de ser escritor, sonho este que pelo menos tem 14 anos. Tenho 34, acredito que vou continuar a lutar, afinal fiz-me guerreiro, lutarei sim, embora a cobardia em mim seja maior do que a coragem, mas lutarei, sim, nos tempos melhores, pois nos piores farei o que todos os cobardolas fazem, não preciso explicar, pois não? … Decidi, então, continuar… somente porque descendo de guerreiros, embora me julguem cobarde, embora também a maior parte das vezes me sinta cobarde, mas lutarei sim, acredito que continuarei a lutar por este sonho de ser um escritor, ou de continuar a ser um! Não sei o que é mais dificil, se conseguir vir a ser ou continuar a ser, ainda por cima eu penso que nem me enquadro nem numa situação nem noutra. As pessoas desiludem-me, até eu me desiludo comigo mesmo, porém um guerreiro sabe que é assim mesmo, sofre o impacto mas logo trata de superar o sucedido; isto nem sempre consigo fazer no timing correcto, ainda tenho muito a aprender nisto de ser um guerreiro e, claro, também nisto de querer ser escritor (ou ser um); enfim, serei ao menos alguém e isso consola-me nesta noite em que medito sobre mim e sobre os passos que darei.

Duma Conversa de MSN

Noite de 31 de Setembro de 2009

Nuno diz:
olha vou agora colocar no Montinhos um pensamento do Pessoa para comentar
Jaime diz:
ok
Jaime diz:
mete que eu vou la ver
Nuno diz:
conto com a tua sempre espectacular opinião
Jaime diz:
lolol
Jaime diz:
espectacular opinião
Jaime diz:
lolol
Nuno diz:
Já está… Vai lá ver, amigo
Jaime diz:
olha não sei bem o que comentar
Jaime diz:
“A morte é a curva da estrada” – a morte é apenas um desvio no percurso da vida
Jaime diz:
sim
Nuno diz:
lê o que lá está e medita
Jaime diz:
renascimentos e tal
Jaime diz:
Agora, morrer é só não ser visto….
Jaime diz:
hum n sei
Jaime diz:
Sim, acho que complementa
Jaime diz:
morre deixa de existir neste mundo físico
Jaime diz:
mas fica a sua existência
Jaime diz:
daí deixar de ser visto
Jaime diz:
mas será recordado
Jaime diz:

Jaime diz:
acho que seja isso
Jaime diz:
lol
Nuno diz:
grande amigo sabia que não me ias deixar mal
Jaime diz:
lol
Nuno diz:
sou da mesma opinião
Jaime diz:
vou comentar então
Nuno diz:
vai
Jaime diz:
pronto já tá
Nuno diz:
vou ler
Nuno diz:
a meu ver, muito bem analisado
Nuno diz:
Sabes, vou voltar a colocar desafios destes lá no Montinhos
Jaime diz:
Sim, fazes bem
Jaime diz:
é pena teres pouco pessoal a comentar
Jaime diz:
seria interessante saber outras opiniões
Nuno diz:
deixei-os escapar a todos
Jaime diz:
pois
Jaime diz:
entao e a tb?
Jaime diz:
e a mariana?
Nuno diz:
escapou
Nuno diz:
A tb também escapou, pelos vistos
Jaime diz:
pois
Nuno diz:
Sabes, temos que manter uma rotina diária nos blogs
Jaime diz:
sim, é importante
Jaime diz:
não propriamente diárias
Jaime diz:
mas regular
Nuno diz:
8 – 0
Jaime diz:
benfica?
Nuno diz:
O Vitória, graaande abada
Nuno diz:
sim
Nuno diz:
grande golo
Jaime diz:
vai la vai
Jaime diz:
o benfas tá-lhe a dar
Jaime diz:
era bom que fosse assim com todos
Jaime diz:
a ver vamos
Nuno diz:
lolol
Jaime diz:
eles este ano têm uma boa equipa
Nuno diz:
vamos a ver…
Nuno diz:
olha abraço amigo
Nuno diz:
vou descansar
Jaime diz:
ok
Jaime diz:
vai deixando umas coisitas nos blogs
Nuno diz:
vou
Jaime diz:
tira uns minutitos por dia para meditar
Jaime diz:
e coloca lá isso
Nuno diz:
esta frase do pessoa é fantástica e é uma grande lição de escrita
Jaime diz:
e realmente chego a uma conclusão, o budismo chega mesmo lá à essência de tudo
Jaime diz:
vê lá tu fernando pessoa
Jaime diz:
há uma data de anos atrás
Jaime diz:
a mandar estes sutras cá pra fora
Jaime diz:
isto que ele diz é puro budismo
Jaime diz:
a meu ver
Nuno diz:
Amigo, o segredo da escrita, da poesia, quanto a mim está escarrapachado ali, naquela frase
Jaime diz:
e na época dele o budismo não era uma moda como hoje em dia
Jaime diz:
eu diria mais
Jaime diz:
o segredo da vida
Nuno diz:
lolol
Nuno diz:
… o segredo da vida…
Nuno diz:
humm humm
Jaime diz:
quiçá
Nuno diz:
;)
Jaime diz:
lembrando Agostinho da Silva
Jaime diz:
ainda não morri portanto não sei. quando morrer logo verei, se houver algo para comunicar e se eu puder comunicar, logo o farei
Jaime diz:
sou seu amigo porque não o faria
Nuno diz:
é verdade
Nuno diz:
ele é que não pode, ou então…
Jaime diz:
talvez até possa
Nuno diz:
talvez não exista nada a comunicar
Jaime diz:
mas não consiga chegar a todos nós
Jaime diz:
apenas a alguns “mais iluminados”
Jaime diz:
ou não
Jaime diz:
….
Jaime diz:
grande interrogação da vida
Nuno diz:
o Agostinho ainda vai voltar
Nuno diz:
Quer muito ajudar a humanidade (e o nosso Portugal)
Jaime diz:
eu acredito que ele até já esteja
Nuno diz:
pelo que entendo volta-se…
Jaime diz:
pelo menos o seu legado….
Jaime diz:
não directamente através de quem o estuda
Jaime diz:
mas há pessoas que, se calhar sem conhecer o agostinho, seguem a palavra dele
Nuno diz:
já viste bem a pureza do pensamento do Agostinho
Nuno diz:
o homem era quase um santo
Jaime diz:
talvez o vinagre seja um agostinho da silva
Jaime diz:
sem o ser
Jaime diz:
por ex
Jaime diz:
entre outros
Nuno diz:
Acredito que o Vinagre tenha um pouco da luz do professor
Jaime diz:
inúmeros desconhecido que seguem a sua palavra… intuitivamente
Jaime diz:
educar
Jaime diz:
quiçá
Nuno diz:
Sabes, ao que parece, o professor um dia quis dar-lhe uma casa?
Jaime diz:
Sim, tu falaste-me nisso
Nuno diz:
Certa vez, estavam ambos a conversar e toca o fone, o professor atendeu e era uma irmã dele a avisar que uma das casas da herança tinha-lhe calhado (não sei se foi exactamente assim, já não me lembro), Ora o homem que nem bilhete de identidade tinha, nem contribuinte…
Nuno diz:
para que queria ele essa carga de trabalhos, então, de imediato, tratou de perguntar ao Vinagre se este queria ficar com a casa
Jaime diz:
lolo
Jaime diz:
era uma pessoa de bem
Jaime diz:
bem para ele
Jaime diz:
e para os outros
Jaime diz:
e com o dom da palavra
Nuno diz:
Grande homem
Nuno diz:
E o Vinagre tem muito dele
Nuno diz:
eu conheço-o bem
Nuno diz:
passei muitas noites a escrever poesia com ele e a pintar…
Nuno diz:
a conversar até madrugada
Nuno diz:
e garanto-te ele tem muitíssimo do professor Agostinho
Jaime diz:
deviamos combinar aí kk coisa entre todos
Jaime diz:
só para tarmos todos a falar
Jaime diz:
e aprender-mos algo uns dos outros
Nuno diz:
O Vinagre anda arredado
Nuno diz:
ele é um mestre e os mestre são complicados
Nuno diz:
enigmáticos
Jaime diz:
sim
Jaime diz:
ele tá por outro caminho
Jaime diz:
digo eu
Nuno diz:
Mas mudando de assunto… em relação a ser um escritor
Nuno diz:
ainda me sinto a gatinhar
Nuno diz:
eles já são todos homens feitos, vividos
Jaime diz:
Sim, com que idade é que o Paulo Coelho editou o 1º livro?
Nuno diz:
Paulo Coelho, Saramago, Lobo Antunes, Pessoa, Eça
Nuno diz:
o Paulo Coelho penso que por volta dos quarenta anos, quando fez o Caminho de Santiago
Jaime diz:
entao tas a ver
Jaime diz:
até lá o que ele não teve de caminhar
Jaime diz:
o saramago o mesmo
Nuno diz:
é um caminho longo
Jaime diz:
lobo antunes não sei mas há pouco tempo que se ouve falar mto dele
Jaime diz:
apesar de já ter mtos livros editados
Jaime diz:
mas tb ja nao caminha pra novo
Jaime diz:
pessoa, eça
Jaime diz:
penso que o mesmo
Jaime diz:
é assim
Jaime diz:
ninguém nasce ensinado
Jaime diz:
pode-se nascer com um dom mas tem de ser cultivado
Jaime diz:
senão perde-se
Jaime diz:
tens que ter jeitinho
Jaime diz:
nasce ctg
Jaime diz:
há bons escritores tb
Jaime diz:
que se desenvolvem mto
Nuno diz:
.. mas do jeitinho a passar a profissional …
Nuno diz:
é necessário um clik mágico
Jaime diz:
mas não chegam ao nível de alguns
Jaime diz:
no entanto não deixam de ser bons escritores
Jaime diz:
mas nascem com um dom diferente
Jaime diz:
talvez direccionado para a escrita tb
Nuno diz:
Hum…
Jaime diz:
mas mais para ser um professor
Jaime diz:
um analista literário
Jaime diz:
ou crítico
Jaime diz:
por aí
Jaime diz:
bem nuno tenho de ir embora
Jaime diz:
a conversa tá boa
Nuno diz:
Repara, já estive com o Lobo Antunes, já estive com o Paulo Coelho, com o Mia Couto, com o Saramago
Jaime diz:
mas tenho de ir
Nuno diz:
e há neles algo comum
Jaime diz:
e tu tb tens de ir descansar
Jaime diz:
sim
Jaime diz:
mas isso é algo que nasceu com eles
Nuno diz:
só para terminar
Nuno diz:
o comum é o seguinte
Nuno diz:
são pessoas com uma enorme personalidade
Nuno diz:
todos eles com um olhar mágico
Nuno diz:
e são também silenciosos, apesar de arte deles ser as palavras, são silenciosos
Nuno diz:
ao pé deles notas o silêncio como numa meditação
Nuno diz:
enfim…
Nuno diz:
fica bem
Jaime diz:
Falamos mais amanhã
Jaime diz:
vai descansar
Nuno diz:
abraço
Jaime diz:
abraço
Nuno diz:
Olha, posso colocar a nossa conversa no blog?
Jaime diz:
podes, à vontade
Jaime diz:
mas tira o meu nome
Jaime diz:
nao coloques la o meu nome
Nuno diz:
não queres?
Nuno diz:
ok
Nuno diz:
farei o que dizes
Jaime diz:
Olha, fica ao teu critério….
Jaime diz:
podes por
Jaime diz:
até amanha
Nuno diz:
vou colocar, então
Jaime diz:
grande abraço
Nuno diz:
até amanhã

Das atitudes

Uma escada ao contrário é um mundo do avesso, tu és como essa escada, sobes quando queres descer, és o avesso do Homem. Sê DEUS, sobe em vez de desceres essa escada e deixarás de estar no mundo. Sê DEUS. Sê DIVINO!

Porque é tão difícil viver sem errar? É tão difícil ser honesto, é tão difícil subir essa escada que está do avesso. É difícil não errar, fácil é ser desonesto, roubar, possuir à força, mas conquistar é tão difícil. Porque tudo está do avesso? Devia ser fácil ser-se honrado, ter atitudes nobres devia ser natural, mas não, cada gesto desses é uma conquista. Fácil é roubar o que os outros ganharam com suor. Fácil é ser-se medíocre..

É tão difícil, é tão desgastante ser-se honesto. Por vezes temos a sensação que só temos a perder em sermos assim… Será que isso é verdade? Vou contar-vos:

Em tempos fiz o mais fácil, enganei, maltratei a vida… miserável que fui, gestos violentos que tive para com a pureza dos sentimentos alheios. Fiz tudo isto, confesso que nem sempre fui um bom rapaz, e disso não me orgulho! Mas só este facto, o de olhar para trás e não gostar do que recordo, me leva à conclusão que o errado, é errado, não deve ser feito… E o que não deve ser feito jamais deve acontecer! É assim que agora penso…

Hoje em dia, olho para as minhas acções e já não me rolam as lágrimas, o meu rosto já não se contorce com pensamentos dolorosos, agora uma serenidade existe onde antes havia temor.

Encontro por estes dias da minha existência, o motivo de, passo a passo, continuar a procurar algo que se me escapa de cada vez que a alcanço, continuo a gastar as minhas horas à procura de algo que se me escapa. Por vezes fecho o livro, pensamento que continuamente folheio em mim, e nessas vezes alcanço o que procurava e por lá fico, até que o esquecimento me leva de volta ao livro que na altura estava a ler ou a reler. Releio, por vezes, dezenas de vezes o mesmo livro, avanço e recuo, volto uma página para logo de seguida a arrancar do livro, com o intuito de a guardar numa pasta que diz «Importâncias». Todavia, estou cansado destas leituras, porque são obras menores, prefiro ler e reler os verdadeiros autores, Jesus, Buda, Agostinho da silva e todos os mestres que a vida felizmente me tem vindo a apresentar. São eles os meus grandes amigos; com eles converso, discuto pormenores, significados de certas expressões, têm sido eles os meus grandes mentores. Estes amigos são especiais, por vezes pensava que somente me tinha calhado em sorte amigos que apenas queriam ser eles a falar, e que nunca ouviam a minha opinião, contudo, agora reparo que eles me escutam, que até meditam nas minhas dúvidas e que, mais tarde ou mais cedo, discutem comigo esses assuntos, só que, lá está, eles vivem num modo temporal distinto, onde os minutos não têm a mesma quantidade de segundos que os meus minutos. Porém eles permitem-me falar, deixam-me dizer todas as brutidades que seguramente digo (rimo-nos muito das coisas que eu digo, todavia, esse riso não tem a particularidade de ser sincrónico, a mais das vezes riem-se eles primeiro e eu rio-me meses depois, anos depois). Felizmente tenho amigos de verdade, uma vida sem amigos é, certamente, muito parecida com a morte.

A vida, essa será sempre melhor se o símbolo da Páscoa se cumprir no seu dia-a-dia. Por exemplo, os ovos da Páscoa, símbolo belo e profundo, firmado no tempo, que é sinónimo de fertilidade, que personifica uma nova vida que aí vem; não é verdade que é por estes dias que os ninhos se enchem de esperanças? Vejamos se em cada ovo de chocolate que ofereçamos, se nele se encontra esse desejo-esperança de uma vida nova, pura e cantadora, uma vida que brinca, e que voa por onde passeia. E que, de quando em quando, quando bem lhe apetecer, pousa no alto de um umbral e admirando a natureza das coisas, canta-a, como se desse simples facto que é o de cantar, possa a vida se tornar mais digna do seu criador, mais digna de uma alma que ganhou a existência, mais digna de viver.

Cantando este dia, o mundo tornar-se-á, com certeza, num mundo novo; num mundo que renasce para a vida eterna.

Alguém que não eu


De noite o beco sombrio avulta a sensação, quem olha para estes becos fica prisioneiro daquele vento que arrepia, daquele nevoeiro que penetra e traz os medos.

O som dos passos de alguém que procura o beco, aflige-me. Com um olhar rápido reparo na luz que esse alguém é, e fujo para outro beco, fujo para um lugar mais recôndito, a luz nasce demasiadas vezes. Fujo de mim, desses passos luminosos que dou. Fujo de quem sou, pois quem sou ilumina qualquer beco onde me esconda.

A fuga exaspera-me e eu transformo-me noutro alguém, num ser que já fui demasiadas vezes, fujo do mundo e voo para o hemisfério donde provenho, procuro regressar, donde saí depois da juventude, fujo para o lugar tumultuoso onde caminhei bêbado, apanhando os pensamentos que se espalhavam ao comprido, vomitando as paredes e partindo as lâmpadas que me encadeavam, fujo para esse lugar donde saí depois da juventude, fujo para esse hemisfério, fujo para lá de quem sou, para ser outro alguém, menos purista, menos rigoroso, menos entediante, fujo para esse lugar donde saí depois da juventude, para que deixe os outros livres de mim, para que não interfira na liberdade alheia, fujo para lá, porque aqui eu sou demais, o ténue equilíbrio desvanece-se e eu sou mais do que devia ser.

Apenas a solidão compreende a noite porque é nela que as almas se confessam, é à noite que os seres de óculos escuros partilham as dores que os dias tendem a camuflar, é à noite que as almas lavam a roupa e se vestem de lavado.

É à noite que alguém que não eu se torna em quem eu sou!

Caros leitores, hoje é dia 9 de Março de 2009 e são 21h26, há já alguns anos que não me sentia tão compenetrado na escrita como esta noite, estes parágrafos que leram fizeram-me recordar o modo de escrever com que o Cristal da Ilusão foi erigido. Foi neste deambular que o livro nasceu. Precisamente neste ressoar das frases.

(há seres tão nojentos que nem se pode meter o pensamento neles)

A frase acima foi dita por um mestre, hoje dia 18 de Janeiro de 2008 estou sentado junto de alguns amigos, onde ele está incluído. Enquanto escrevo estas palavras procuro uma forma de vos exprimir o que aqui se conversa, talvez o mestre me possa ajudar:

Pela mão do André:

«Há seres tão nojentos que nem se pode meter o pensamento neles, e isto significa o quê?

Existem seres trauma que provocam feridas em nós, existem seres complexo que nos fazem sentir diminuídos, existem seres fobia que nos fazem ter medo, e muitos destes seres vivem dentro de nós, projectam-se criando o mundo e o cosmos – o Deus que cria, são estes habitantes internos que fazem chover fogo do céu e o caos, tornando esta época densa, tão densa que asfixia, cada ser deve encontrar a sua libertação, para que, libertos, façam a verdadeira guerra.

O Amor cósmico é entrar na quarta dimensão onde o tempo anda ao contrário e rejuvenescemos e, pela oração aos seres da quarta dimensão, virgem Maria, Padre Pio, etc., esses seres entram na terceira dimensão e rejuvenescem eles mesmos. Destas trocas, entre seres materiais e imateriais, surge o milagre

Sentado ao meu lado André contempla o universo para o qual as suas palavras apontam.  No seu olhar vejo reflectido um mundo que é, sem dúvida, bem diferente do actual – nesse mundo os seres humanos são os Deuses do seu universo e não os escravos que a sociedade faz de cada um de nós.

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